
Sou filho de Olinda, carrego o peso de uma cidade-dormitório esquecida pelo Brasil. Sou nordestino, resistente e enxergo vida onde muitos enxergam apenas silêncio. Esse contexto constrói parte da minha linguagem. Minha poesia nasce de qualquer lugar, não tem acepção, melindres e muito menos medo. Escuto o mundo em melodias, ritmos e pausas onde outros talvez escutassem apenas o vazio. Por isso, minha escrita frequentemente caminha como canção: às vezes xote, às vezes um choro, às vezes bossa, às vezes versos de amor ditos baixos.
Por fim, admiro o professor e o estudante, mas vivo entre a disciplina e o devaneio, entre a sala de aula e as estratégias de guerra. Escrevo porque desconfio do silêncio e porque sei que certas coisas só permanecem até o dia em que encontram poesia. Carrego memória, identidade, desejo, Nordeste e contradição. No fim, talvez Wictor, Matheus, Vicente e Silva escrevam por isso: para conversarmos e chegarmos a um senso comum: eu.

Para todos os poetas que indaguei o que seria a poesia, obtive respostas diferentes. Até que encontrei a minha: a poesia é o efeito transformador da arte no instante em que, estando em nós mesmos, saímos de nós e podemos alcançar o outro; é a forma mais profunda de estar no mundo e de, concomitantemente, nunca estarmos sozinhos nele. Esta obra narra, em versos, os conflitos e as belezas que habita
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