
Moisés Guarnieri dos Santos escreve a partir de um lugar pouco comum: a confluência entre a técnica do direito, a memória histórica e a inquietação filosófica. Promotor de Justiça constroi uma trajetória marcada pelo rigor intelectual — mas é na literatura que expande, sem amarras, as perguntas que o direito nem sempre consegue responder.
Sua escrita nasce do diálogo entre arquivos e silêncio, entre documentos e afetos. Em sua obra, o passado não é cenário, mas força viva: migrações, escolhas morais, rupturas históricas e heranças invisíveis atravessam personagens e leitores, sempre sob a tensão entre destino e responsabilidade. Nada é gratuito; cada narrativa carrega a marca de quem conhece o peso das decisões e o custo do tempo.
Autor do romance histórico Guarnieri, Moisés Guarnieri dos Santos revela uma prosa sóbria e densa, na qual a história familiar se projeta como espelho de processos maiores — políticos, sociais e existenciais. O leitor é conduzido por camadas: a narrativa aparente, o substrato histórico e, sobretudo, a pergunta que permanece após o último parágrafo.
Entre a função pública e a criação literária, sua obra convida à reflexão sobre identidade, justiça, pertencimento e memória. Ler Moisés Guarnieri dos Santos é aceitar o desafio de atravessar épocas, ideias e consciências — sabendo que, ao final, algo no leitor também terá sido deslocado.

A fronteira entre fato e ficção é menos rígida do que parece. A história oficial registra datas, nomes, navios. Contudo, a literatura busca o que os registros não conseguem dizer. Guarnieri é um romance que nasceu nesse espaço intermediário: entre a precisão dos arquivos e o mistério insondável das emoções humanas. A pesquisa histórica ofereceu o esqueleto; a imaginação literária, o sopro vital.
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