Eu escrevo porque escrever sempre foi, para mim, uma forma de existir no mundo antes mesmo de entender o que isso significava. Desde os meus 8 anos, quando aprendi a organizar letras e dar forma ao pensamento, algo em mim já sabia: não era sobre técnica, nem sobre orientação, nem sobre qualquer tentativa de encaixar a escrita em um propósito terapêutico ou funcional. Era — e ainda é — sobre um impulso que não pede permissão.
Escrevo entre linhas e linhas porque é nesse espaço que encontro o que não cabe no óbvio. O que não se diz diretamente, o que escapa, o que falha — tudo isso me interessa mais do que o que se mostra pronto. Minha escrita não nasce de um método, mas de uma insistência. Não é um exercício, é uma permanência. Eu escrevo porque há algo em mim que continua pedindo passagem, mesmo quando não há motivo claro, mesmo quando não há destino para o que escrevo.
Não escrevo para me curar, embora às vezes cure. Não escrevo para entender, embora às vezes compreenda. Escrevo porque gosto, porque quero, porque há uma espécie de fidelidade silenciosa entre mim e a palavra. Uma fidelidade que não exige explicação, nem validação, nem utilidade.
Ao longo do tempo, fui percebendo que escrever não é apenas colocar algo para fora — é também sustentar o que vem, sem fugir, sem corrigir excessivamente, sem tentar tornar tudo aceitável. É permitir que o pensamento se mostre como é: incompleto, atravessado, vivo.
E talvez seja isso que me mantém escrevendo até hoje: a possibilidade de continuar habitando esse espaço entre o que sou, o que penso e o que ainda não sei dizer. Porque, no fim, eu escrevo simplesmente porque escrevo. E isso, por si só, já é tudo.
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