
Sou marido, pai de três filhos maravilhosos e alguém que aprendeu a reconhecer na própria família sua maior fonte de inspiração. Cada um deles, à sua maneira, me desafia todos os dias a dar o melhor de mim, a enxergar o mundo por ângulos diferentes e a transformar experiências, ideias e curiosidades em coisas que possam ser compartilhadas. Talvez por isso eu também escreva sobre temas tão distintos: cada parte daquilo que produzo encontra, de alguma forma, inspiração nas pessoas com quem divido a vida.
Há algum tempo compreendi que uma trajetória não precisa ser extraordinária para ter valor, mas precisa ser vivida com atenção. Depois de mais de vinte anos de carreira na área comercial, passando por grandes empresas multinacionais, diferentes mercados, desafios, conquistas, erros, decisões e aprendizados, percebi que havia acumulado muito mais do que experiência profissional. Havia histórias. Havia conhecimento. Havia uma maneira própria de observar pessoas, organizações, escolhas e transformações.
Minha profissão também me deu um privilégio enorme: conhecer muitos Brasis dentro do Brasil. Vivi e trabalhei em regiões muito diferentes entre si e tive contato direto com contrastes culturais, econômicos, climáticos, logísticos, religiosos e sociais que dificilmente cabem em uma única definição de país. Viajei por cidades grandes e pequenas, atravessei realidades completamente distintas e conheci pessoas de todas as regiões, com histórias, sotaques, valores, dificuldades, crenças e formas de enxergar a vida igualmente diferentes.
Cada uma dessas experiências deixou alguma coisa.
Ao longo do caminho, encontrei empresários, executivos, vendedores, clientes, colegas, trabalhadores, famílias e pessoas absolutamente comuns com histórias extraordinárias. Algumas me ensinaram pelo que fizeram. Outras, pelo que disseram. Muitas, simplesmente pela maneira como viviam. Todas contribuíram, em algum grau, para a formação da maneira como penso, trabalho e procuro compreender o mundo.
Foi então que passei a olhar para tudo isso como um patrimônio que não fazia sentido guardar apenas comigo. Se minha trajetória reuniu experiências, ideias, histórias e aprendizados capazes de provocar uma reflexão, despertar uma curiosidade ou ajudar alguém a enxergar alguma coisa de maneira diferente, por que não colocá-los em circulação?
É daí que nasce minha vontade de escrever. Não escrevo porque acredito ter todas as respostas. Escrevo porque tive a oportunidade de viver muitas perguntas, observar diferentes respostas e aprender com pessoas e lugares que ampliaram enormemente a minha compreensão da vida, do trabalho e das relações humanas.
Hoje, escrever é uma forma de devolver ao mundo um pouco da energia, do conhecimento e das histórias que o próprio mundo me ofereceu. E quem quiser compartilhar desse caminho será sempre muito bem-vindo.

Este livro nasceu de uma inquietação: ao deixar uma organização depois de anos de profissão, o que realmente levamos conosco? Experiência, decisões, aprendizados, relações, soluções e uma maneira própria de interpretar o trabalho. Um patrimônio construído ao longo da trajetória, mas nem sempre reconhecido ou nomeado. Muitos profissionais carregam esse patrimônio sem compreendê-lo e, consequenteme
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