
Antes de toda apresentação, acredito que seja preciso contar um pouco da nossa história. Traçar algumas passagens importantes da vida pode explicar muito do presente.
Quando comecei a me arriscar na escrita, tudo o que eu tinha eram cadernos velhos, folhas já utilizadas e castigadas pelo tempo, além de canetas falhando.
Ainda pirralho, a grande descoberta da minha vida foi perceber que as músicas que ouvimos todos os dias são, na verdade, poesias cantadas com ritmo e instrumentos bem organizados.
A partir desse momento, comecei a ler as letras das músicas que escutava e passei a arriscar escrever as minhas próprias, praticando com frequência. Evidentemente, sem o dom de cantar. Foi assim que inaugurei a construção do meu processo criativo.
Foram dias e noites me expressando através de poesias e textos, fossem cômicos ou trágicos, mas sem coragem alguma de mostrá-los às pessoas do meu convívio.
Com o passar da idade, veio uma maturidade para além das rugas e dos cabelos brancos. Uma maturidade intelectual e consciente sobre o mundo e seus atores. Aprendia palavras novas a todo momento, numa busca que me fazia invejar caçadores de tesouros. Porém, havia muita história escrita que ninguém havia visto ainda.
Nesse longo caminho, me formei em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo, casei e me tornei pai. Para além da maturidade, ganhei responsabilidades em toneladas.
Hoje os textos melhoraram, mas ainda me sinto um menino viajando com a caneta nas mãos, olhando pela janela do ônibus a caminho da escola. Janelas que me mostravam como a realidade é difícil para nós que caminhamos pelos vales das desigualdades e necessidades.
Nesse momento deixava para trás um Luiz inocente e despreocupado, para nascer um Luiz crítico, analítico e inquieto. É isso que a realidade nos mostra, e durante anos tentei apresentá-la através das minhas palavras.
Talvez poeta. Talvez escritor. Talvez cronista. Talvez ensaísta, roteirista, talvez alguém que saiba muita coisa — mas com a certeza de que ninguém sabe de tudo.
Assim nasço eu, Luiz Carlos dos Santos Carvalhás.
Meu vulgo? Luiz Carvalhás.
Muito prazer.

Este livro é fruto de anos de atuação como educador social e de uma escuta atenta nas ruas. Ao longo dos capítulos, o autor articula experiência prática, teoria crítica e análise das políticas públicas para questionar quem realmente falhou na construção dessa realidade. Os Excluídos: Um Olhar Para as Ruas Invisíveis é um livro-ensaio nascido do contato direto com a população em situação de rua e
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