
João da Cruz, pseudônimo de Cleiton da Silva Duarte Lira Nascimento,
nascido em 17 de agosto de 1996, é natural de Guarabira, Paraíba, mas morou por
mais de 25 anos no município de Serra da Raiz/PB. No ano de 2022, graduou-se em
Língua Portuguesa pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), assim como
tornou-se mestre em Literatura e Interculturalidade pela mesma instituição em
14 de abril de 2025. É especialista em Cultura e Literatura e
Neuropsicopedagogia pela Faculdade Intervale e em Inteligência Artificial na
Educação (Faculdade São Luís) e graduado em Pedagogia pela (Unifacvest).
Durante suas pesquisas no mestrado, realizou ativamente estudos sobre as
temáticas relativas ao sagrado, à possessão demoníaca, exorcismos,
aprofundando-se meticulosamente nas experiências sombrias com o sagrado, sobre
o qual Rudolf Otto e Georges Bataille podem ser firmados como influências
positivas para o pesquisador durante a sua trajetória. Durante a graduação
(2018-2022), estudou na modalidade “Graduação sanduiche”, no ano de
2020, na Universidade de Coimbra, na cidade de Coimbra, Portugal. Período em
que, infelizmente, enfrentou a devastadora e sombria maldição da pandemia da
Covid-19 que assolou o nosso solitário planeta.
Durante a infância, marcada
profundamente pela pobreza, o autor teve contato significativo com o ambiente
rural da propriedade de seu avô, Hermano Duarte Lira. Batizado na Igreja
Católica, católico por herança, a dona Verônica da Silva Duarte Lira e seu Miguel
Luís Duarte Lira, pais do autor, sempre o levaram, desde pequenino, a rezadores
da minha, até hoje, rua: Lourival Freire. “Seu Cajé” – já falecido –, assim
como outras rezadeiras depois dele, marcaram profundamente as minhas
experiências religiosas que, (in)conscientemente, aflorariam tardiamente e me
colocariam em outros subterrâneos da fé. Muitos eventos alimentaram, de modo
insidioso, o meu credo, hoje espírita: experiências fantasmagóricas/espectrais
no Sítio Peroá, do meu avô, na “Casa Velha”/ “Casa do Velho Damázio” a qual
residi na fase da infância localiza na barriga do sítio peroá. As experiências
avassaladoras com possessões diabólicas no ensino médio, as intrigantes
vivências celestiais com meu amigo de infância, Júlio César Miguel de Aquino Cabral,
em que, até, hoje, vem fazendo parte da minha vida. Sozinho, eu enxergava o
rio, mas com ele, juntos, enxergávamos o mar, graças a Paracleto ou Espírito de
Verdade ou Consolador ou Espírito Santo.
Em vista disso, penso que tudo isso
colaborou para a produção deste livro. Hoje, casado a 4 (quatro) anos com
Marilia Gabriela do Nascimento Domingos Lira, descobri o reflexo de Deus nela,
descobri como amar o Sagrado nela. Sim, a pobreza, as dificuldades, as coisas
inexplicáveis, inefáveis em linguagem sagrada, fizeram-me de semente para um
futuro sobre o qual não conhecia. O caminho das pedras, dos espinhos,
ensinou-me, assim como os grandes mestres, a enxergar que assim como o nosso
grande irmão, Jesus Cristo morrera de forma tão drástica, solitária e sombria, passei
a amar o pertencimento a essa tradição de dores e lamentos, a entender que a
humanidade precisa e necessita continuamente daquele gesto mítico e ancestral
do sacrifício, do amor incondicional e inexplicável pelo outro, pela
humanidade. Não é o poder que me atrai, ou o dinheiro, ou a fama, ou as
riquezas de nosso pobre e enodoado mundo, mas o desejo, sim o desejo potente de
um dia ver, não sei em que dimensão espiritual, todos renovados, purificados,
conscientes. Esse foi o sonho de Carl Gustav Jung, de integrar o consciente no
inconsciente, a fim de atingir a totalidade, a forma plena do Self, a nossa
melhor forma, descarnada, exorcizada da persona de nossas vaidades e, portanto,
de nossos interesses mesquinhos.
Por conseguinte, resolvi fazer essa
pequena biografia singela, modesta, para que você saiba, leitor(a), que João
da Cruz carrega um espírito, portanto, um mistério que o nome Cleiton não
consegue comportar. João da Cruz é esse heterônimo que fala por si, que age
segundo sua própria identidade, que guarda o que esse corpo profano não
consegue, por sua natureza biológica, humana, errática e dispersa de luz.
Que fique claro, pois, que João da Cruz
não é, pelo menos para mim, o autor, tão somente um pseudônimo (Nome
fantasia), mas uma identidade espiritual. Até aqui, mais de 10 (dez) livros
foram escritos por Cleiton, somente por Cleiton. Mas Cleiton precisava morrer
para João da Cruz nascer, para “O Auto das Rezadeiras” nascer.
Minha vida segue o ciclo da natureza, das estações; morrer e nascer é
universalmente necessário. Jamais podemos esquecer da longa conta que temos com
o Espírito Santo. Ele morreu por nós. Também devemos morrer por ele, de
muitas formas e um dia tudo isso ficará claro. Em linhas gerais, é perceptível,
para mim, que a profundidade sombria do sagrado é, e sempre será, o nascimento
do amor. Eis o mistério que conduz tudo e adorna as palavras deste romance um
tanto estranho, um tanto divertido, um tanto nordestino.

Nesta obra magnífica, João da Cruz inaugura o primeiro romance brasileiro e nordestino, dedicado a narrar a história de mulheres rezadeiras na região brejo do estado da Paraíba. O romance, de gênero híbrido, traz o realismo mágico, o auto e o gótico como estéticas que se fundem para traçar o sombrio enredo de mulheres, especialmente de três delas: dona Josefa, Penha e Ana, representando três geraç
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