
Gil Del Carmo é escritor, pesquisador, artista visual e gestor cultural afropindorâmico, afroindígena e afro-escocês. Sua obra literária e ensaística transita entre o romance, a ficção especulativa, a sátira política e a pesquisa sobre memória, ancestralidade e sistemas de poder, compondo um projeto autoral contínuo, crítico e experimental.
É Mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ/IM). Sua pesquisa articula grafismo marajoara, ressemantização afroindígena, Oriki Genético e as relações entre inteligência artificial e sistemas de memória ancestral (IA × IA), campo de investigação que fundamenta parte significativa de sua produção literária, especialmente nos universos de ficção científica afro-pindorâmica e nos romances especulativos.
Autor de livros como Todo Carnaval Tem Seu Fim, Ampla Concorrência, Entre Coxinhas e Mortadelas, O Evangelho Segundo a Gambiarra, IRUGBIN — Crônicas da Diáspora Estelar, IRUGBIN II — O Código Abìkú e Mboi Guassu — Os Filhos da Serpente, Gil Del Carmo desenvolve narrativas que investigam o desgaste institucional, o silenciamento histórico e os limites éticos da tecnologia, evitando heroísmos convencionais e soluções narrativas fáceis.
É também autor de Grafismo Marajoara: Ressemantização Afroindígena no Ilê da Oxum Apará, obra que articula arte, patrimônio cultural e epistemologias afroindígenas, consolidando sua atuação no campo do patrimônio vivo e da memória afrodescendente. É fundador do NKANDA – Grupo de Estudos em Patrimônio Afrodescendente de Mangaratiba, iniciativa dedicada à pesquisa, formação e difusão de saberes afro-diaspóricos no território da Costa Verde.
Atua como Diretor Administrativo da Fundação Mário Peixoto, integrando gestão cultural, políticas públicas e preservação patrimonial, e como Coordenador Pedagógico da ATRAI – Associação Nacional de Teólogos e Teólogas da Tradição de Matriz Africana, Afro-Umbandista e Indígena, contribuindo para a formação, sistematização e difusão de epistemologias teológicas afroindígenas no Brasil.
Possui especialização em Gestão de Projetos Culturais pela PUC-Rio, com experiência na concepção, execução e acompanhamento de projetos culturais, editoriais e educativos.
Sua escrita se caracteriza por narrativas de procedimento, personagens submetidos a pressões éticas e mundos em que o colapso não se apresenta como espetáculo, mas como processo contínuo e silencioso. Com humor ácido, imaginação crítica e rigor conceitual, Gil Del Carmo constrói livros que desafiam classificações fáceis e convidam o leitor a enxergar — e questionar — os sistemas que moldam a vida contemporânea.

Grafismo Marajoara: Ressemantização Afroindígena no Ilê da Oxum Apará é uma obra que investiga os caminhos históricos, simbólicos e políticos do grafismo marajoara a partir de uma perspectiva afroindígena, situada no território vivo de uma comunidade tradicional de matriz africana no estado do Rio de Janeiro. Partindo da cerâmica marajoara como patrimônio arqueológico amplamente apropriado pelo d
Saiba mais
Quando o Àiyé deixa de sustentar a vida, a humanidade compreende que não sobreviverá levando consigo o próprio corpo. A solução encontrada é extrema: abandonar a biologia e espalhar pelo universo naves-semente — as Oduduwas — carregadas não de pessoas, mas de memórias, afetos e consciências humanas digitalizadas. IRUGBIN – Crônicas da Diáspora Espacial reúne registros fragmentados dessa travessia
Saiba mais
Onde o Manifesto Comunista encontra o balcão do pé-sujo e o Apocalipse aceita Pix. "O Brasil não é para principiantes, e o céu não aceita emenda de relator." Enzo é um programador cínico, viciado em café frio e perito em sobreviver ao caos de Bangu. Sua vida era um loop previsível de boletos e bugs, até que um erro catastrófico no código-fonte do universo o coloca no cargo de Avatar da Terra. O p
Saiba mais
Entre Coxinhas e Mortadelas não é um livro sobre extremos. É um livro sobre o que prospera entre eles. Enquanto a política brasileira se apresenta como um embate ruidoso entre lados opostos, este ensaio desloca o foco para um território mais silencioso, mais eficiente e muito menos visível: o do centro que administra, acomoda, negocia e insiste. Um espaço onde nada parece mudar — e justamente por
Saiba mais
Ampla Concorrência — ou como um corpo vira vaga é um romance contundente sobre os mecanismos invisíveis que regulam quem pode entrar, permanecer — e desaparecer — dentro do sistema educacional brasileiro. A partir da trajetória de um homem sem endereço fixo, o livro acompanha, passo a passo, o percurso burocrático que transforma um corpo em processo, um nome em protocolo e uma vida em pendência d
Saiba mais
TODO CARNAVAL TEM SEU FIM — Manual de sobrevivência ao silêncio Gil Del Carmo Este não é um livro sobre superação. É um livro sobre permanência. Em Todo Carnaval Tem Seu Fim, Gil Del Carmo constrói uma narrativa íntima e precisa sobre crescer em meio à escassez, ao improviso cotidiano e às violências que não fazem barulho. Sem apelo ao sentimentalismo, o autor percorre a infância como quem obse
Saiba mais
Em um país que aprende a continuar mesmo quando seus ritos falham, sessões deixam de acontecer sem que decisões deixem de ser tomadas. O silêncio passa a ser administrado. A ausência, normalizada. Após um evento que rompe o gesto público do poder, o sistema não entra em colapso — adapta-se. Investigações avançam sem centro, comunicados substituem presenças, e uma rede antiga, fundada na espera, p
Saiba mais
ARUÃI? Itaguaí: camadas de um tempo que retorna Em ARUÃI?, o tempo não avança — ele retorna em camadas. Ambientado em Itaguaí, o romance acompanha Aruãi Y-tinga, uma mulher indígena confrontada com registros, formulários, documentos e narrativas que insistem em negar sua própria existência. O que começa como um erro administrativo se revela um sistema de apagamento contínuo, onde povos inteiros
Saiba mais
Vivemos cercados por máquinas que aprendem, calculam, classificam e decidem. Mas muito antes dos algoritmos existirem, já havia outra forma de inteligência em pleno funcionamento: a inteligência ancestral dos povos negros e indígenas do Brasil. Em IA x IA – Inteligência Artificial e Inteligência Ancestral, Gil Del Carmo propõe um encontro improvável e necessário entre dois mundos. De um lado, a t
Saiba mais
Em 1996, um garoto de 14 anos escreveu uma pequena história em um caderno escolar: A Lenda de Jack Amano. Quase trinta anos depois, o mesmo autor reencontra esse texto esquecido e decide relê-lo com os olhos de adulto. O resultado é este livro singular: metade conto juvenil, metade memória afetiva; uma conversa bem-humorada entre duas versões da mesma pessoa. De um lado, o adolescente tímido que
Saiba mais
Uma experiência científica fragmentou a realidade. Não houve explosão, nem fim do mundo — apenas a ruptura silenciosa do tempo em múltiplas camadas coexistentes. Agora, estradas atravessam séculos, túneis desembocam em passados não revogáveis, mares conduzem a futuros possíveis. Pessoas convivem com versões de si mesmas, constroem relações entre épocas distintas e aprendem, pouco a pouco, a viver
Saiba mais