
Fernando
Viana Neiva nasceu em Ji-Paraná, Rondônia, quando o estado ainda era território
federal, numa época em que a única tela que existia era a da televisão — e nem
sempre chegava o sinal. Filho da Amazônia pioneira, cresceu entre Minas Gerais,
Rondônia e Amazonas, numa geração que aprendeu a se virar antes de aprender a
pesquisar no Google.
Aos
treze anos, trabalhava numa farmácia na rodovia Transamazônica, no interior do
Amazonas. Aos dezessete, administrava um comércio num garimpo no Pará. Mais
tarde vieram o mestrado em Engenharia, o serviço público federal e a vida entre
Manaus e São Paulo — com toda a velocidade que o mundo digital impôs a quem
veio do analógico.
Foi
num retorno às origens que tudo mudou. Em Ji-Paraná, uma história de amor o
levou à floresta, ao Santo Daime e ao encontro mais difícil de todos: o
encontro com ele mesmo.
Atravessei
o Fogo e o Gelo é seu livro de estreia — e a prova de que algumas travessias só
fazem sentido quando contadas com honestidade total.

Numa tarde de inverno em São Paulo, um terapeuta colocou um laudo sobre a mesa e avisou: "Você pediu para não suavizar. Então não vou suavizar." Ali, entre termos técnicos, Fernando Viana Neiva viu seu verdadeiro reflexo: cru, nu, incontornável. O menino nascido às margens da BR-364, em Rondônia — e o homem em que havia se tornado, carregando o peso de coisas que não sabia nomear. Mas este livro é
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