
Sou professora por profissão e leitora por escolha. Sempre achei curioso como algumas pessoas conseguem guardar lembranças em fotografias. Eu as guardo em palavras.
Acredito que os livros têm o poder de acolher, provocar, curar e transformar. Talvez por isso eu tenha escolhido passar meus dias cercada por eles: em sala de aula, incentivando novos leitores, e agora também como autora. Sou completamente convencida de que ler muda pessoas. É por isso que invento tantas maneiras de aproximar meus alunos dos livros — um álbum de figurinhas, um marcador de páginas, uma frase escrita à mão... qualquer coisa que desperte o prazer da leitura.
Escrever sempre foi minha forma de organizar emoções e preservar aquilo que o tempo insiste em levar. Tem bolo? e outras camadas é meu primeiro livro, mas não é minha primeira história. É apenas a primeira que encontrei coragem para dividir com o mundo. Escrevê-lo foi meu jeito de transformar memórias em palavras e de compartilhar um pouco daquilo que me tornou quem sou.
Antes de publicar um livro, eu já vivia cercada por eles. Foi entre páginas, cadernos, aulas e incontáveis leituras que compreendi que algumas histórias não foram feitas apenas para serem lidas, mas para permanecer.
Se, ao terminar esta leitura, você sentir que levou um pedaço da minha história consigo, então minhas palavras cumpriram seu propósito. Afinal, acredito que, se existe uma forma de permanecer no mundo, ela esteja nas histórias que deixamos para os outros. E, no fim, espero apenas que minhas palavras encontrem você exatamente quando precisarem ser encontradas.

Há pessoas que nos constroem. Há amores que escolhem caminhar ao lado. Há perdas que transformam. E há memórias que permanecem muito depois do momento ter passado. Em Tem bolo? e outras camadas, Carola Kirch reúne crônicas e relatos sobre família, amizade, amor, infância, gatos e tudo aquilo que faz uma vida ser lembrada. Um livro sobre as camadas que o tempo leva. E as que ficam.
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